Goiânia, 04/03/26
Tribuna Livre Goiás
BRASIL · 04/03/2026

PF deflagra 3ª fase da Operação Compliance Zero e volta a prender Daniel Vorcaro

Mandados foram cumpridos em SP e MG; STF autorizou quatro prisões preventivas e bloqueio bilionário de ativos


Rede social Daniel Vorcaro/Banco Master

Por Por Miriam Barbosa

Brasília/São Paulo, 4 de março de 2026 — A Polícia Federal deflagrou nas primeiras horas desta quarta-feira (4) a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes estruturadas no sistema financeiro nacional. Entre os alvos está o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, preso preventivamente por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com informações oficiais publicadas no portal institucional da PF, a operação teve início no começo da manhã, com o cumprimento simultâneo de quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As ordens judiciais incluem ainda bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, além de medidas cautelares diversas, como afastamento de funções.

A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Segundo a PF, a nova etapa aprofunda linhas investigativas abertas nas fases anteriores, que apuram indícios de organização criminosa, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção e crimes cibernéticos.


Operação e contexto

A Operação Compliance Zero ganhou dimensão nacional em 2025, quando a primeira fase revelou indícios de irregularidades estruturais na governança do Banco Master. À época, o caso levou a medidas administrativas e cautelares, incluindo restrições operacionais impostas por órgãos reguladores.

Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, sendo posteriormente colocado em regime domiciliar com monitoramento eletrônico. A nova prisão preventiva, segundo fontes ligadas à investigação, decorre da necessidade de preservar a instrução processual e impedir suposta continuidade de práticas ilícitas.


Estrutura investigativa

A Polícia Federal atua com apoio técnico do Banco Central do Brasil, sobretudo na análise de operações financeiras complexas, circulação de títulos de crédito e rastreamento de fluxos internacionais de recursos.

Investigadores trabalham com a hipótese de que o esquema envolvia a emissão e negociação de ativos sem lastro suficiente, além de movimentações destinadas a ocultar a origem de valores.


Impacto institucional

O caso tem repercussões diretas no ambiente regulatório e na confiança do mercado financeiro. Analistas ouvidos sob condição de anonimato avaliam que a nova fase da operação reforça o protagonismo do STF em casos de alta complexidade envolvendo o sistema bancário e autoridades com prerrogativa de foro.

Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou publicamente sobre a nova decisão judicial.

A Polícia Federal informou que novas diligências não estão descartadas e que o inquérito permanece sob sigilo parcial.


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